Este pequeno primata, caracterizado pela sua elegante e farta cabeleira branca, que lhe dá o nome, encontra-se criticamente ameaçado de extinção, causado pela destruição do seu habitat natural.
A característica mais distintiva desta espécie é a existência de uma juba de pêlos longos, brancos, desde a testa até à nuca. A face é preta, apresentando, no entanto, pêlos curtos de tom prateado nas têmporas e zonas laterais. O dorso é castanho ou preto e a zona inferior das patas anteriores e posteriores é branca. A zona traseira do seu corpo e as coxas apresentam um tom laranja-avermelhado, assim como a base da sua longa cauda, enquanto a extremidade é preta. Não existe dimorfismo sexual.
Possuem garras em todos os dedos, excepto nos polegares, permitindo-lhes agarrarem-se às árvores.
O saguim-cabeça-de-algodão vive em grupos de dois a doze indivíduos. É um animal arbóreo e diurno, explorando os estratos médios-inferiores da floresta. Os locais de repouso situam-se na zona superior da canópia, em bifurcações de ramos. A rotina diária típica desta espécie envolve um padrão alternativo de explorar o território, repousar, e viajar. Quando o grupo se encontra a repousar durante o dia, um dos membros permanece vigilante, alertando o grupo por vocalizações, se detectar perigo.
Esta espécie é territorial, utilizando as glândulas odoríferas do peito e região genital, em conjunto com a urina, para definir o seu território, comunicar o seu estatuto social e indicar a receptividade sexual. Usam igualmente uma grande diversidade de vocalizações para comunicar. Quando entram em contacto com outros grupos, em vez de ocorrer contacto físico, estes ameaçam-nos erguendo-se nas patas posteriores, numa atitude de dominância, mostrando a sua zona traseira e área genital, eriçando o seu pêlo e juba e emitindo vocalizações de intensidade elevada, como meio de intimidação.
Durante grande parte do seu dia, são encontrados a passar as suas unhas semelhantes a garras pelo pêlo uns dos outros, examinando-o, e utilizam os seus dentes, lábios e língua para removerem partículas. Este comportamento denomina-se "grooming".
Para além de insectos, alimentam-se igualmente de fruta, flores, folhas, rebentos e pequenos vertebrados tais como rãs, lagartos, ovos e crias de aves. Alimentam-se de exsudados das árvores, como seiva e sobretudo gomas.
Reprodução: A espécie Saguinus oedipus apresenta um sistema de reprodução cooperativa. Todos os elementos participam nos cuidados com as crias, desde os progenitores, outras fêmeas, até aos juvenis de gerações anteriores. A partilha de alimento é um acto comum, especialmente nos progenitores, que partilham com as suas crias, mas também nos filhos mais velhos, que partilham com os mais novos. A maioria dos grupos aparenta ser monogâmica, com apenas uma fêmea e um macho como reprodutores activos. As restantes fêmeas do grupo são inibidas pela fêmea dominante, através do seu comportamento e de feromonas. No entanto, a presença de machos não aparentados no grupo, pode levar a que a fêmea dominante permita que uma das suas filhas se reproduza.
Assim como os restantes calitricídeos, os saguins-cabeça-de-algodão exibem padrões de nascimento sazonais, nos quais o pico da época dura dois a três meses, entre Abril e Junho. A época de nascimentos encontra-se ligada ao período de maior abundância de frutos. Nascem, normalmente, dois gémeos não-idênticos, após uma gestação de 140 a 145 dias. A fêmea transporta as crias durante as primeiras duas semanas e depois é o macho quem mais se ocupa desta tarefa, embora exista cooperação de todos os membros do grupo na criação dos juvenis. As crias tornam-se independentes com apenas dois meses de idade. A fêmea torna-se sexualmente activa com cerca de 18 meses, enquanto o macho demora, em média, 24 meses.
Saguim-cabeça-de-algodão
Saguinus oedipus
Mamíferos
O Saguim-cabeça-de-algodão é considerado uma espécie Criticamente Ameaçada pela IUCN. Pertence ao Anexo I da CITES.
Esta espécie é endémica do Noroeste da Colômbia. Habita em florestas tropicais húmidas primárias e secundárias, preferencialmente nos seus limites, e utilizam maioritariamente as zonas mais baixas da canópia.
Comprimento: Corpo: 20 - 25 cm Cauda: 33 a 40 cm
Altura pelos ombros: 23.2 cm
Esta espécie apresenta uma esperança média de vida de cerca de 13.5 anos.